A evolução das técnicas de fraude no crime financeiro
O setor bancário e o setor dos seguros enfrentam a cada dia mais dificuldades na validação de transações. O rápido avanço tecnológico, o número cada vez maior de meios de pagamento distintos, o aumento do volume de transações diárias e os novos tipos de bens virtuais com valor económico (como, por exemplo, as criptomoedas), exercem uma pressão cada vez maior sobre as equipas de compliance e sobre as ferramentas tecnológicas por elas utilizadas. Ao mesmo tempo, a maior sofisticação de esquemas a nível financeiro torna o crime financeiro mais difícil de detetar, levando a desafios como os elevados níveis de falsos positivos (criação de um alerta de transação suspeita que, após averiguação, valida a transação como legitima e real, sem contornos de ilegalidade/erro) ou custos operacionais elevados.
Organizações ligadas a setores de atividade como a banca e os seguros, requerem uma maior e constante atualização ao nível da sua infraestrutura tecnológica, de forma a que estas técnicas sejam detetadas mais cedo e com maior celeridade. Perante este cenário, as aplicações tecnológicas vêm amenizar e auxiliar os profissionais da área com ferramentas de automatização de workflows, monitorização de transações, AI, entre outros.
AML e KYC: a primeira linha de defesa contra a fraude
A prevenção à lavagem de dinheiro (AML – Anti-Money Laundering), como o próprio nome indica, é a necessidade de prever e evitar transações fraudulentas com fundos de origem criminosa, visando atribuir-lhes uma aparência de legitimidade. Muitas empresas, tanto no setor bancário como no dos seguros, têm normativas (europeias, por exemplo) que têm de seguir, de forma a evitarem este tipo de situações.
O Conhecimento do Cliente (KYC – Know Your Customer) é um passo inicial para validar a idoneidade e combater o crime financeiro. O KYC permite, assim, recolher e verificar a identidade de um cliente quando abre uma conta ou estabelece uma relação com uma empresa, realizando a validação básica dos seus dados, como, por exemplo, do passaporte ou de outro documento de identificação.
Verificação de risco e monitorização contínua (WLM + AMM)
Após a validação inicial do KYC, existem outras fases necessárias que auxiliam no combate à fraude e à lavagem de dinheiro.
- Watch List Management (WLM)
A validação de que o indivíduo não se encontra numa lista predefinida de sanções, usando como base a informação recolhida no KYC. Este processo, chamado WLM (Watch List Management – Gestão de Listas de Observação), permite comparar as informações do cliente com a sua presença ou ausência em listas de risco como pessoa politicamente exposta (PEP), sanções internacionais (OFAC – Office of Foreign Assets Control, por exemplo) e listas de risco internas.
- Alert Management & Monitoring (AMM)
Outra fase do processo de validação passa por traçar um perfil de comportamento do cliente – a este processo chamamos AMM (Alert Management & Monitoring – Gestão de Alertas e Deteção de Comportamento). Este sistema valida transações anormais e gera alertas de possíveis situações de crimes financeiros, delineando padrões de transações suspeitas que indiquem lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo.
Aplicações tecnológicas e o seu impacto real no combate ao crime financeiro
Devido ao grande volume de dados, a automatização destes processos com a integração de informação, por vezes quase imediata, auxilia as equipas a filtrar estes alertas e ajuda a evitar os casos de falsos positivos, libertando o foco das equipas para casos de alertas fidedignos.
Ao conseguirem detetar este tipo de casos no crime financeiro com a ajuda de aplicações que facilitam a deteção de fraudes e de tentativas de lavagem de dinheiro, as equipas de compliance conseguem evitar penalizações por parte das entidades reguladoras, prevenir danos à reputação da organização e impedir que a sua instituição seja usada como via para a prática de atos criminosos, como o financiamento ao terrorismo.
A existência de ferramentas que processam e organizam grandes quantidades de dados e que detetam incoerências nos mesmos, acabam por se tornar verdadeiras aliadas de muitos profissionais a atuar nesta área.
NetReveal: uma aplicação crítica para a deteção e prevenção de fraude
Um exemplo notável deste tipo de aplicações é o NetReveal, uma plataforma especializada na deteção e prevenção de crimes financeiros, fraude e gestão de risco para instituições financeiras e empresas reguladas. A NetReveal recorre a inteligência artificial (IA) avançada e a machine learning para detetar atividades suspeitas, minimizar falsos positivos e agilizar a análise de informação no processo de triagem de clientes e de transações financeiras.
O NetReveal permite monitorizar transações e atividades financeiras, investigar casos suspeitos, reconhecer padrões de risco, reduzir falsos positivos e classificar transações e comportamentos financeiros suspeitos. Desenhado para lidar com um grande volume de dados de instituições financeiras, o NetReveal consome uma grande quantidade de detalhes, conseguindo agregá-los em entidades. Usando detalhes de um utilizador como, por exemplo, o seu número de telefone ou a sua morada, caso haja match com a informação de uma pessoa que já esteja a ser investigada por um crime financeiro, a equipa irá debruçar-se com mais cuidado sobre esta pessoa em particular.
Mesmo na área dos seguros, a plataforma ajuda no despiste a potenciais tentativas de fraude com seguros, como, por exemplo, uma pessoa que tenha participado mais de um sinistro no mesmo ano pela inundação da sua casa. Através dos detalhes associados a este cliente, é possível cruzar dados e perceber se pode ser um sinal de alerta para a equipa da seguradora.
Por último, o NetReveal é também utilizado para auxiliar no controlo à lavagem de dinheiro, permitindo detetar casos de transações suspeitas, mais uma vez desagregando os detalhes do indivíduo em questão e validando transações anormais. Esta é uma das aplicações práticas do NetReveal que permite um combate eficaz à tentativa de financiamento indevido a grupos terroristas ou a pessoas politicamente expostas.
A importância das aplicações tecnológicas no futuro do combate ao crime financeiro
O crime financeiro tem ganho contornos cada vez mais complexos, com estruturas mais robustas e mecanismos mais difíceis de detetar. As ferramentas de IT que integram informação e a analisam atuam proativa e preventivamente no combate ao contínuo aumento desses crimes e ajudam a identificá-los mais facilmente. A conjugação destas ferramentas com o conhecimento interno das equipas de compliance é determinante para uma melhor resolução de processos de fraude, permitindo informar as autoridades com uma maior celeridade.
O NetReveal é um exemplo das muitas aplicações que ajudam instituições bancárias e seguradoras a detetar fraudes, nomeadamente lavagem de dinheiro. O seu modelo de verificação de dados de indivíduos que possam estar a cometer uma fraude agiliza o trabalho de muitos profissionais da área que outrora teriam de fazer este processo manualmente, mantendo sempre a legibilidade e o anonimato de acordo com o GDPR (General Data Protection Regulation – Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), ao mesmo tempo que reduzem a margem de erro.
Mais do que automatizar, agilizar ou acelerar procedimentos com um elevado grau de fiabilidade e segurança, aplicações tecnológicas com recurso a IA permitem, acima de tudo, converter mindset em ação e implementar mais facilmente medidas preventivas em alternativa a ações reativas no combate ao crime financeiro.
Isa Caravela, Application Support Analyst @ Neotalent Conclusion