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Para lá da dicotomia “arte vs trabalho”

No Dia Mundial da Arte (15 de abril), reunimos reflexões de colegas de todo o ecossistema ibérico da Conclusion que praticam ativamente diferentes disciplinas artísticas. Em conjunto, exploram uma questão relevante: como se liga a prática artística à capacidade profissional?

À primeira vista, aquilo que os nossos consultores fazem fora do trabalho pode parecer desligado das suas funções no mundo tecnológico… Fotografia, música, bordado, teatro, pintura. Mundos diferentes. Regras diferentes. Mas esta separação não resiste a uma análise mais atenta.

Na Neotalent Conclusion, estas práticas não são apenas interesses pessoais. São espaços de treino para as mesmas capacidades exigidas em contextos técnicos complexos: observar padrões, estruturar problemas, adaptar-se à mudança e pensar para além de soluções pré-definidas.

A criatividade artística, neste contexto, não é ornamental. É funcional. Influencia a forma como os problemas são abordados, como as decisões são tomadas e como as soluções são construídas. O que acontece fora do horário de trabalho reforça muitas vezes o que acontece dentro dele — não por coincidência, mas por transferência de competências.

O que se segue é um mapa dessas capacidades partilhadas.

OBSERVAR E COMPREENDER

Antes de resolver um problema, existe um pré-requisito: compreendê-lo. Não de forma superficial, mas em profundidade (incluindo o contexto, as restrições e as variáveis ocultas).

É aqui que muitas disciplinas artísticas convergem com o trabalho técnico. Para Adrián Fernández, Software Engineer e fotógrafo, a observação não é passiva. É um processo deliberado de leitura do ambiente: “É preciso prestar atenção ao contexto (luz, cor, formas) e encontrar um enquadramento criativo. Programar é semelhante: analisa-se o problema e tudo o que o rodeia antes de criar algo novo.”

O ato de tirar uma fotografia e o de escrever código partilham a mesma base: nada de significativo acontece sem primeiro compreender o que está à nossa frente.

Clara Moreno, Analyst Programmer e bordadora, aborda o seu trabalho com a mesma mentalidade: “Antes de dar um único ponto, o desenho tem de ser planeado e cada fio contado.” A precisão não é opcional, é estrutural. De forma semelhante, para Sara Santos, o ponto cruz é um exercício de paciência e exatidão: “A calma e a precisão exigidas pelo crochet e pelo ponto cruz são, sem dúvida, ferramentas muito úteis que dou por mim a aplicar cada vez mais noutros aspetos da minha vida pessoal e profissional.”

Ao longo destas disciplinas, emerge um padrão: a observação é ativa, não passiva; o detalhe não é secundário, é fundamental; o contexto determina o resultado.

Tanto na arte como na tecnologia, avançar para a execução sem compreender plenamente o problema conduz a resultados frágeis. A capacidade de observar torna-se o primeiro fator diferenciador.

ESTRUTURAR E DECOMPOR

A criatividade é frequentemente associada à espontaneidade, à intuição e à liberdade. Mas, na prática, especialmente em ambientes técnicos, raramente funciona sem estrutura.

A capacidade de gerar ideias é apenas parte da equação. A capacidade de as executar depende do método.

Para Álvaro Vázquez, Security Administrator e pintor de miniaturas, esta ligação é clara: “Quer na minha secretária quer nos meus processos, o caos é o inimigo. Sem estrutura, o trabalho desmorona-se. Tal como uma miniatura é construída camada a camada, problemas complexos são resolvidos ao dividi-los em partes mais pequenas e geríveis.”

Esta ideia é reforçada pela experiência de Andreia Monteiro, People Operations, com a costura. O que começou como uma exploração autodidata evoluiu para uma prática estruturada onde a preparação é crítica. Antes da execução, existe uma fase que define tudo o que se segue: a preparação. Como descreve: “O que mais gosto é toda a preparação antes de ir à máquina de costura: escolher os tecidos certos, tirar medidas, preparar os moldes e cortar o tecido.”

O resultado visível — a peça final — é apenas uma fração do trabalho. A maior parte do valor está no que acontece antes.

Tanto na arte como na tecnologia, os resultados não são impulsionados apenas pela inspiração, mas pela capacidade de organizar, sequenciar e controlar o processo do início ao fim.

PENSAR DE FORMA DIFERENTE

Os problemas técnicos são frequentemente abordados através da lógica, da repetição e de frameworks conhecidos. Isto funciona… até deixar de funcionar. Quando não se encontra uma solução dentro do mesmo caminho mental, é necessário algo diferente: a capacidade de sair do contexto imediato e reformular o problema.

Para vários dos nossos colegas, a prática artística torna-se esse mecanismo. Kenny Szombik, IT Consultant e guitarrista, descreve esta mudança de forma clara: “Quando não consigo encontrar uma solução para um problema, pego na guitarra. À medida que entro no flow, começam a surgir novas possibilidades, ajudando-me a abordar problemas complexos de uma perspetiva diferente.”

Afastar-se não é evitar o problema. Permite quebrar o pensamento linear e regressar com abordagens alternativas. Para Iago Camelo, ETL Developer e guitarrista, tocar é uma forma de “escapar ao stress técnico e deixar a criatividade fluir”, ao mesmo tempo que desenvolve paciência e flexibilidade que se traduzem diretamente na resolução de problemas complexos.

Esta interação entre estrutura e liberdade também é visível em formas de arte mais visuais. Francisca Ferreira, GenAI Consultant e pintora, define a pintura como “um espaço onde desbloqueio a criatividade, estimulo o pensamento e ganho novas perspetivas que também levo para o meu dia a dia profissional.”

E no desenvolvimento frontend, onde a experiência do utilizador exige lógica e intuição, Kalliu Brasil, Frontend Developer e baterista, destaca como a sensibilidade artística reforça a execução técnica: “Quando o meu lado artístico se combina com as minhas competências como Frontend Developer, sou reconhecido pela minha criatividade na gestão de desafios nas interfaces e no comportamento humano.”

Pensar de forma diferente não significa abandonar a estrutura ou opor-se à lógica. Significa expandi-la.

 

VAMOS TRABALHAR EM CONJUNTO

A excelência, por si só, nem sempre é suficiente em ambientes complexos. A maioria dos desafios não é resolvida de forma isolada, mas através da interação, alinhando perspetivas, coordenando esforços e adaptando-se em tempo real.

Muitas disciplinas artísticas são, por natureza, colaborativas. Exigem uma consciência constante dos outros, a capacidade de ouvir para além das palavras e a flexibilidade para ajustar o próprio papel num resultado partilhado. Para Sergio Martínez, Control Engineer e trombonista, fazer parte de uma banda é um paralelo direto com o trabalho em equipa: “Significa compromisso, criatividade, resiliência quando as coisas não correm como esperado e a capacidade de se conectar com os outros, ouvir e intervir quando necessário. São todas qualidades que levamos para o nosso dia a dia.”

Neste contexto, ouvir (tal como observar, como vimos antes) não é passivo. É uma competência ativa que molda a forma como as decisões são tomadas e como as equipas respondem aos desafios. Sofía Medina, SCADA & Software Engineer e atriz de teatro, destaca isto de outra perspetiva: “Em palco, é preciso ouvir o que o colega está a dizer, como o está a dizer, e adaptar-se a isso. Se ele não disser, podes ter de o apoiar. Trata-se de integrar o trabalho dos outros para alcançar um bom resultado.”

O teatro introduz uma camada adicional: empatia. Compreender diferentes perspetivas sem julgamento torna-se essencial — tanto em palco como em ambientes profissionais onde coexistem múltiplos stakeholders. A música reforça esta ideia a um nível mais amplo. João Ramos, Marketing Coordinator e baixista, descreve-a como uma linguagem universal: “Uma simples melodia transcende línguas e culturas e desperta as mesmas emoções em qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo.”

Ao longo destas experiências, a comunicação não se limita à troca verbal. Inclui timing, consciência e a capacidade de interpretar situações à medida que evoluem. Em contextos artísticos e profissionais, os resultados dependem menos do desempenho individual e mais de quão bem as pessoas se conectam, se ajustam e avançam em conjunto.

IDENTIDADE E CONFIANÇA

Para além das competências e metodologias, existe outra dimensão onde a prática artística tem um impacto claro: a identidade. As disciplinas criativas não se limitam a produzir algo externo. Moldam a forma como as pessoas se veem a si próprias, como expressam ideias e como posicionam a sua voz em diferentes contextos.

Para Ranjit Raje, Business Analyst e poeta, isto traduz-se diretamente em confiança: “Dá-me confiança para falar em público e partilhar ideias com os outros. A confiança desenvolvida na vida pessoal ajuda sempre a tornar-nos melhores profissionais.”

A capacidade de articular ideias, tomar iniciativa e enfrentar situações desconhecidas não se desenvolve exclusivamente em contextos formais. É frequentemente reforçada em espaços onde a experimentação é permitida. De forma semelhante, para Nelson Lança, IT Talent Acquisition Specialist e baixista, a música não está separada de quem é — define a forma como atua: “A música representa uma grande parte da minha personalidade. A criatividade no mundo musical permitiu-me desenvolver competências de improvisação em todas as áreas da minha vida.”

A improvisação, neste sentido, não é aleatoriedade. É a capacidade de responder à incerteza, adaptar-se em tempo real e manter-se confiante e eficaz sem guiões pré-definidos.

Estas não são competências secundárias. Em ambientes tecnológicos dinâmicos, onde a mudança é constante e a certeza é limitada, tornam-se fatores críticos de diferenciação.

UMA DEFINIÇÃO MAIS AMPLA DE TALENTO

Estas perspetivas apontam para uma ideia consistente: a capacidade profissional não se constrói de forma isolada.

Observação, estrutura, criatividade, colaboração e confiança não são traços abstratos. São desenvolvidos, muitas vezes fora do contexto formal de trabalho, e transferidos para ele.

O que emerge é uma definição mais ampla de talento: uma combinação entre conhecimento técnico e a capacidade de pensar, adaptar-se e responder a situações complexas. Esta combinação é o que permite, em última análise, melhores decisões, uma execução mais sólida e resultados mais eficazes.

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